Fotos do Castelo 1974

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Fotografia de Amadeu Astorga Viana, 1974 http://www.monumentos.pt

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Fotos do Castelo 1951

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Fotografia de José Marques Abreu Junior, 1951. http://www.monumentos.pt

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Videos de Algoso, Agosto 2012 “Bye David Pinto”

 

 

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Histoiria e tradições de Algoso contadas por Elisa Rodrigues Afonso…

Nota Introdutória

Antes de vos dar a conhecer Algoso, gostaria de referir que é com enorme satisfação que escrevo este post. Em primeiro lugar, por ser sobre a minha terra e, em segundo, porque me foi pedido por uma amiga muito especial.

Algoso é uma aldeia transmontana, situada no concelho de Vimioso e distrito de Bragança, que tem como anexa a povoação de Vale de Algoso. Outrora denominada Ulgoso e Ylgoso, foi, em tempos remotos, vila e sede de concelho, albergando os concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso.

Está situada numa planície e, como em todo o nordeste transmontano, o seu clima é agreste no inverno e muito quente no verão, fazendo jus ao ditado popular: “Nove meses de inverno e três de inferno”.

Para mim, é sobretudo a terra dos meus antepassados, das minhas raízes e, modéstias à parte, tem um grande património histórico e cultural, que, seguidamente vos dou a conhecer.

Vista panorâmica de Algoso

Monumentos

Castelo

Algoso tem como ex-líbris o seu belo e imponente castelo do séc. XII, que se avista desde várias serras e concelhos vizinhos. A propósito deste facto, recordo-me do entusiasmo do meu pai, quando vamos de viagem para Algoso, ao referir sempre, numa aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros: “Estamos a chegar, já conseguimos ver daqui o castelo!”

O castelo de Algoso situa-se no monte da Penenciada, numa altura de cerca de 600 metros, tendo sido construído por Mendo Bofino (nalguns documentos encontra-se também Rufino), ao serviço de D. Sancho I. Este castelo foi o centro político-militar da Terra de Miranda, entre os rios Douro e Sabor, tendo sido entregue, em 1224 aos cavaleiros da Ordem do Hospital, por D. Sancho II. Domina uma vasta extensão do planalto mirandês, e foi denominado como “o coração das pedras” pela colecção “Portugal passo a passo”, aparecendo logo na primeira página do livro referente à região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Monumentos de AlgosoMonumentos de Algoso

Desde o castelo de Algoso podem-se contemplar, para além de uma bela paisagem, várias aldeias vizinhas, dos concelhos limítrofes de Mogadouro, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro e Bragança, ou até mesmo a Serra da Sanábria, em Espanha. Além disso, é de salientar a vista da belíssima ponte romana, construída na Idade média, sobre o rio Angueira, e à qual se tem acesso a pé, por jipe, ou tractor, devido ao caminho ser um pouco irregular e em terra batida. Junto a esta ponte, ainda subsiste parte de uma calçada romana. Para uma melhor visualização desta, aconselho o visionamento do vídeo (aqui).

Ponte Romana

Recentemente, o castelo foi sujeito a um projecto de reabilitação, que envolveu vários estudos arqueológicos, muito importantes para o aprofundamento da história da aldeia, remontando ao período calcolítico, idades do bronze e ferro. Foi classificado como imóvel de interesse público, pelo IGESPAR, e conta com um centro de acolhimento a visitantes e de um núcleo interpretativo e museológico, situado no largo do pelourinho da aldeia.

A uns 50 metros do castelo, situa-se a capela de Nª Sra. da Assunção ou do castelo, que foi igreja matriz da aldeia primitiva. Conserva ainda a pia baptismal desse tempo. Exteriormente, é uma capela simples, com um arco de cantaria a encimar a porta principal. No interior, encontra-se um enorme quadro ilustrativo da lenda mais famosa da aldeia, cuja transcrição apresento a seguir:

É tradição muito remota, que andando um lavrador na sua lavoura junto d’esta capella, ao soltar do seu trabalho buscava um filhinho onde pouco antes o deixara, e não o encontrando, viu em logár d’elle um repugnante e monstruoso “Crocodilo” que por intervenção da Virgem elle matou, vomitando a fera no mesmo instante a protegida creança, milagrosamente sã, salva, intacta, e cheia de saúde. A pelle do dito reptil, que junto se conserva é prova suficiente de tão potente milagre”.

capela-assuncao

interior-igreja

Todos sabemos que as lendas têm apenas um fundo de verdade e esta não é excepção. Quanto a Nª Sra. do castelo, por ter feito este milagre, é uma figura sagrada de bastante culto em toda a aldeia, tendo inclusivamente dentro da capela um armário com oferendas dos seus devotos, entre elas figuras de cera, tranças de cabelo, fotografias, flores e mantos. Eu própria confesso que doei o meu tricórnio e o bastão de final de curso a esta santa da minha devoção e da qual fui, com imenso orgulho, mordoma na festa em sua honra, no dia 15 de Agosto 2012.

Armário com oferendas a Nª Sra. da Assunção, perto do altar-mor da capela. Como podem verificar, ainda lá está o meu tricórnio e bastão de final de curso

Armário com oferendas a Nª Sra. da Assunção, perto do altar-mor da capela.
Como podem verificar, ainda lá está o meu tricórnio e bastão de final de curso

mordoma

A mordoma, com o cesto das oferendas, no dia da Festa em honra de Nossa Senhora da Assunção, 2012

Procissão à volta da aldeia, na mesma festa, em 2012

Procissão à volta da aldeia, na mesma festa, em 2012

A caminho do castelo de Algoso podemos ainda encontrar 5 capelinhas, correspondentes a várias cenas da vida de Jesus Cristo. As pessoas mais velhas costumam rezar o terço desde o Santo Cristo até à capela de Nª Sra. da Assunção.

Casa da Câmara e Pelourinho

A Casa da Câmara está situada numa praça da aldeia, ao lado do pelourinho. Foi sede dos Paços de concelho e cadeia, ainda quando a aldeia era vila, e, já no século XX albergou as instalações da escola primária, onde os meus avós, pai e tio fizeram a 4ª classe. Neste momento, podemos encontrar no edifício as instalações da Junta de Freguesia de Algoso.

O pelourinho, foi construído no século XVI, e é prova da independência administrativa da freguesia. Recentemente, foi também restaurado, assim como toda a praça envolvente. Em cima dos quatro braços do capitel está um plinto com as armas de Portugal, encimado por uma esfera armilar e rematado por um pequeno disco.

Casa da Câmara e Pelourinho de Algoso

Casa da Câmara e Pelourinho de Algoso

Igreja Matriz de Algoso

É uma igreja de estilo românico. Destaca-se na paisagem da aldeia pela sua bela torre sineira. No interior, é de salientar a magnífica talha dourada em estilo barroco, do altar-mor, dedicado a S. Sebastião. Esta igreja foi restaurada em 2013, sendo conservada toda a sua riqueza e traça originais.

Para uma visita a três dimensões, podem consultar  aqui e aqui.


Capela da Misericórdia
A casa da Misericórdia de Algoso foi edificada numa antiga capela de Santo António, que havia na aldeia. Esta possuía algumas celas que serviam de hospital, sendo que já em 1747 se encontrava em ruínas. Hoje em dia, apenas é uma capela mortuária, ao lado do cemitério e é da invocação da visita de Nª Sra. a Santa Isabel.

Capela da Misericórdia, Algoso

Capela da Misericórdia, Algoso

Capela de São Roque
Esta capela foi construída pelos habitantes de Algoso, quando a peste dizimava as populações. Tem uma porta e cunhais de cantaria, e grossas colunas de pedra, que, segundo a tradição popular, foram transportadas às costas pelos homens da terra, como cumprimento da promessa que fizeram, tendo terminado deste modo, a peste que os afectava.

À frente da capela, encontra-se um cruzeiro com três degraus e encimado, tal como o nome indica, por uma cruz de cantaria.

Capela de São Roque e cruzeiro, Algoso

Capela de São Roque e cruzeiro, Algoso

Pormenor do átrio da entrada da capela de São Roque, Algoso

Pormenor do átrio da entrada da capela de São Roque, Algoso

Capela de São João Baptista

Já um pouco fora da aldeia, encontra-se a capela de São João Baptista, que possui uma fonte, chamada fonte santa ou de São João dos milagres, na qual se banhava muita gente no dia de São João e de São Lourenço, acreditando que a água que de lá provem tem propriedades medicinais. Algoso fazia ainda parte do Caminho de Santiago, pelo que esta fonte era também ponto de passagem obrigatória para os peregrinos serem abençoados com a sua água. Também os estudantes antes de fazerem algum exame, aí se banhavam, acreditando que São João Baptista os iria ajudar a alcançar bons resultados.

Capela de São João Baptista

Capela de São João Baptista

Fonte santa

Fonte santa

Ruínas do Convento

Em tempos remotos existiu ainda um convento de frades na aldeia, do qual já só restam ruínas de algumas paredes, que mal se distinguem, devido à vegetação densa daquele local.

Centro de Acolhimento e Museu

A aldeia conta ainda com um Centro de Acolhimento e um núcleo interpretativo e museológico, onde se podem ver peças encontradas aquando das escavações efectuadas na zona do castelo, bem como um vídeo ilustrativo da história do castelo e da aldeia.

Centro de Acolhimento a visitantes e núcleo interpretativo e museológico de Algoso

Centro de Acolhimento a visitantes e núcleo interpretativo e museológico de Algoso

Festas e tradições

Carnaval

O Ramo é uma tradição cumprida no domingo antes do carnaval, que comporta um leilão de bolos de fabrico caseiro, chamados “roscos”. Estes são colocados numa armação de madeira, decorada com ramos de oliveira e, posteriormente leiloados pelos mordomos. Após este acontecimento, organiza-se a “corrida da rosca”, efectuada por vários escalões etários. Quem ganhar a corrida, tem direito à rosca (bolo) que encima o ramo, como se pode ver na fotografia.

Ramo de Carnaval, com os “roscos” distribuídos pelos ramos de oliveira

Ramo de Carnaval, com os “roscos” distribuídos pelos ramos de oliveira

Páscoa
O encomendar das almas é uma tradição religiosa, celebrada na Quaresma, na qual se junta um grupo de pessoas (mais idosas) a percorrer as ruas da aldeia, já de noite, cantando em determinados locais.

A tradição de “andar as igrejas” ocorre na quinta-feira santa, e consiste em percorrer as capelas da aldeia, para beijar o senhor na cruz, tendo início na igreja matriz, a partir do meio-dia. Todas elas são limpas e arranjadas pelos respectivos mordomos, com panos de linho, rendas, velas e vasos de flores.

No sábado de Aleluia é também tradição, depois do baile de Páscoa, ir tocar o sino à torre da igreja, como forma de celebrar a ressurreição de Cristo. De notar que, por vezes o barulho é ensurdecedor, principalmente para quem, como eu, mora à beira da igreja e tendo em conta que dura um longo período de tempo.

Ainda na Páscoa, existe a tradição de “tirar o folar”. Formam-se grupos de rapazes e raparigas que percorrem as casas da aldeia, para, tal como o nome indica, provarem o folar de cada um.

Corpo de Deus

Nesta altura existe a tradição de, em cada bairro da aldeia se fazer um altar religioso. Durante a tarde, as pessoas, em procissão, passam por cada um e rezam, deitando flores e formando-se um tapete no chão.

Corpo de Deus – altares

Corpo de Deus – altares

Agosto

No dia 9 de Agosto, é realizada a Feira de São Lourenço em Algoso, onde as pessoas podem encontrar e comprar diversos artigos, utensílios e produtos da região.

Em Agosto têm lugar as festas da aldeia. No dia 15, em honra de Nª Sra. da Assunção ou do Castelo, que é organizada pelos solteiros da aldeia. No dia 16, compete aos casados realizarem a de São Roque.

Festas em honra de Nª Sra. do Castelo e São Roque, Algoso

Festas em honra de Nª Sra. do Castelo e São Roque, Algoso

Período de Natal

A chocalhada é celebrada no dia 26 de Dezembro, fazendo parte da festa de Santo Estevão. Constitui-se pela junção de um grupo de pessoas da aldeia, munidos de chocalhos de animais, que percorrem as casas, fazendo uma barulheira ensurdecedora, com a chocalhada e gritaria, dando vivas ao Santo.

Gastronomia

Ao nível gastronómico, destacam-se os pratos à base de carne de porco, como alheiras e fumeiro regional. Um prato típico desta aldeia e que é, de resto, também de todo o nordeste transmontano, são as cascas ou casulas (vagem de feijão seca ao sol no verão) com butelo ou bulho (enchido típico desta zona), chouriça, salpicão e morcela (feita com sangue de porco, mel e grão de amêndoa). Pode-se ainda realçar a afamada posta à mirandesa, acompanhada com um bom vinho da região (maduro – tinto).

Uma verdadeira delícia!

Fumeiro Fumeiro2 Fumeiro3

Em relação a doces, a tradição impõe que se comam os “roscos” do Carnaval (bolos cozidos em forno de lenha e feitos com ovos, farinha, açúcar, sumo de laranja e aguardente),e o famoso folar transmontano, por altura da Páscoa.

No Verão, são típicos os peixinhos do rio fritos, com molho de escabeche.

Folar Roscos escabeche

Alojamento e Restauração

Quem quiser visitar esta linda aldeia transmontana, tem várias opções de alojamento, tanto na própria aldeia, como nos arredores.

Em Algoso, é de destacar a Albergaria Ascenção.

Na freguesia anexa a Algoso, Vale de Algoso, existe uma unidade de turismo rural, a Casa dos Pimentéis (aqui).

Em Vimioso, destaca-se o Hotel Rural Senhora de Pereiras, situado na estrada Nacional, à saída para Algoso (aqui).

Para finalizar, gostaria de vos aconselhar este vídeo, que contém uma magnífica apresentação da aldeia:

 

E muito mais haveria ainda para contar acerca de Algoso, no entanto, esta é apenas uma recolha de informações que considero mais relevantes.

Para conhecerem mais, podem consultar os sites aqui, aqui, bem como a página do castelo de Algoso no facebook ou até simplesmente fazer uma busca na internet com o nome “Algoso”.

Para os amantes de comidas tradicionais e que queriam saber mais acerca deste prato, podem pôr um “like na página da Confraria do Butelo e da Casula.

E com estas sugestões e informações me despeço, agradecendo, mais uma vez o convite e esperando que o post tenha sido do vosso agrado.

Apelo a uma visita a Algoso e a todo o nordeste transmontano que, por vezes é um pouco esquecido mas, não deixa, por isso de ser fascinante e misterioso ;).

Ex uma sugestão de escapadinha de fim-de-semana, indo para fora, cá dentro

Um beijinho,

Elisa Rodrigues Afonso

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Algoso

A antiga vila transmontana de Algoso foi sede de concelho até 1855, ano em que foi extinto e incorporado no município de Vimioso. No extremo sul da povoação ergueu-se o castelo, obra de Mendo Rufino dos finais do século XII, possivelmente ainda reinado de D. Afonso Henriques, embora alguns autores se inclinem mais para a sua construção, pelo mesmo Mendo Rufino, mas já no tempo de D. Sancho I, a quem de resto o patrocinador do reduto o ofereceu, recebendo a título de recompensa o senhorio de Vimioso. O pequeno castelo surge no alto do Monte da Penenciada, um cabeço penhascoso que se despenha quase a pique, a mais de 600 metros, sobre o Rio Angueira, que por sua vez vai confluir a oeste com o Maçãs. Quem segue pela estrada de Mogadouro para Vimioso não pode deixar de se impressionar quando, a meio caminho entre as duas localidades, topa com este castelo. Irresistível se torna, pois, a subida a Algoso, nos tempos medievais chamada Ulgoso e Ylgoso, de onde se desfruta de uma vista deslumbrante. Como deslumbrante é também o castelo, como já se disse de reduzidas dimensões, que fez parte de uma linha defensiva de antiquíssimos tempos com mais três fortificações: as do Milhão e de Santulhão, destruídas talvez pelos leoneses ainda durante os primeiros reinados portugueses, e a do Outeiro, hoje praticamente em completa ruína. O castelo de Algoso, construído à base de xisto quártzico e granito, é de planta rectangular, com entrada pelo lado norte por porta em arco pleno, defendida pelo que resta de um cubelo, já sem merlões. Surge então a pequena praça de armas, onde aparecem, tal como no exterior, panos de muralha em paralelo com a penedia, que em muitos pontos funciona como alicerce da cerca. Os dois primeiros destinavam-se à zona habitacional e o último à defesa. Ainda na época medieval, o Castelo de Algoso foi cedido, por D. Sancho II à Ordem do Hospital (depois Ordem de Malta), em 1226, e nele residiu o representante real das terras de Miranda e de Penas Róias, ambas ainda acasteladas nos tempos de hoje, se bem que nesta última localidade muito pouco resta da fortificação aí erguida. Já no século XVIII, mais concretamente em 1710, por alturas da invasão espanhola motivada pela Guerra dos Sete Anos, Algoso sofreu saques, tal como outras terras desta região. O principal alvo dos espanhóis foi Miranda do Douro, cuja fortaleza quase se viu reduzida a escombros na sequência de enorme explosão no paiol, mas as localidades da zona do Vimioso também não escaparam à fúria da nação vizinha. Algoso, no entanto, conseguiu resistir aos ataques e evitou a ocupação, apesar da sua guarnição, comandada por um alferes, ser pouco numerosa. Aquando das invasões francesas ficou célebre o nome de juiz de fora de Algoso, Jacinto de Oliveira Castelo Branco. Este magistrado, além de não acatar em 1808 as ordens de Junot, continuava a usar nos processos o nome de Sua Alteza Real, apesar de D. João VI já ter embarcado com a família para o Brasil e os franceses terem declarado abolida a dinastia de Bragança.

* In ” Portugal Eterno”, Tesouros do nosso património arquitectónico, suplemento do jornal “O Público”.
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